quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

População de Ubatuba se revolta com o reajuste salarial de vereadores



Por Patrícia Rosseto

Um aumento de 2 mil no salário dos vereadores provocou revolta nos munícipes que viralizaram postagens de protestos em redes sociais e compareceram massivamente em manifestação durante a sessão da Câmara de Ubatuba



Logo nos primeiros minutos da sessão desta terça-feira, o presidente da Câmara, o vereador Claudinei Xavier (PSDB) encerrou as atividades da Casa através de gestos com os braços e se retirando do auditório, seguido pelos vereadores que também aprovaram o aumento salarial. No plenário permaneceram os vereadores que votaram contra. De acordo com manifestantes a sessão extraordinária para a decisão de reajuste foi realizada no sábado passado sem informações a população.

 

Segundo o presidente da Câmara, Claudinei Xavier (PSDB), seguindo a legislação se o reajuste dos vereadores acompanhasse o reajuste dos servidores públicos municipais em reposição inflacionária, seria em 2013, um aumento de 5.85% em 2014, 6% em 2015, 6.5% e este ano em 11%, finalizando em um total de 29,35%.

Ainda de acordo com Claudinei, o aumento é 3% menos que os realizados aos servidores públicos e se faz necessário para gastos dos vereadores em sua atuação, incluindo a compra de roupas. “A Câmara não tem aporte, subsídios para desenvolver todo seu trabalho, o vereador que banca os custos de suas atividades. É justo de acordo com a lei”, afirmou Claudinei.

A manifestante professora Tatiana Mesquita espera uma atitude de veto do atual prefeito, Maurício Moromizato (PT). “Foi um ato feito as pressas, sem que a população tomasse consciência. Toda categoria tem aumento, mas este está completamente fora da realidade da cidade. É imoral”, disse ela.

Outra manifestante, Cristina Prochaska, com abaixo-assinado a punhos apontou que após este grande evento de protesto a cidade de Ubatuba não é mais a mesma. “Junto ao grito do povo brasileiro que vemos em todo país a revolta, Ubatuba acordou e sabe que cada um de nós tem um papel, o vereador está lá para representar o povo.”, afirmou. Ela acrescentou que outras ações estão encaminhadas para anular este aumento. “Como ex-presidente da Fundação de Arte, ex-diretora de Turismo e de Comunicação Social da prefeitura, acho uma vergonha, o povo lotar a Casa do Povo construída com o dinheiro da população, após uma votação na calada de um sábado, sem divulgação. Vários grupos se mobilizaram e fizemos uma petição online que atingiu 2.300 assinaturas em 48 horas, existe também uma Ação Popular recebendo assinaturas, explicou Cristina.

Segundo o vereador Adão Pereira (PCdoB) os vereadores não tem verbas de representação, porém tem a disposição carro, motorista e gasolina, inclusive para viagens. “Somos cumpridores de lei, nos últimos quatro anos estamos sem aumento, nada mais justo”, analisou ele.

Para o vereador Eraldo Todão (PSDB) não é o momento nem hora para tal reajuste. “Na situação financeira do país e do município, não tem sentido este aumento”, declarou.

Também contrária ao aumento a vereadora Flávia Pascoal (PSB) explicou que não participou do projeto e também não assinou. “Sempre usei o meu carro e custeei meus gastos”, detalhou. Flávia acrescenta que comparado ao custo de vida para viver em Ubatuba. “Esse reajuste não reflete a realidade do povo e nem a economia municipal. A cidade tem diversas situações emergenciais”, apontou a vereadora.

Para Reginaldo de Matos, Bibi, a manifestação é legítima. “Aqui é a casa do povo, a democracia tem que ouvir a população sim, a população está certa em se manifestar se sentir-se prejudicada e ofendida, tem que acontecer o que está acontecendo aqui, isso é democracia. O país passa por uma crise, a cidade está abandonada e há outras prioridades no município”, opinou ele. Ele acrescenta que com carro, motorista e combustível, os custos com as viagens, como hotel e alimentação é irrisório.

Ivanil Ferretti (PMDB) declarou que o projeto apesar da legalidade é imoral. “Vivemos um momento muito difícil, é momento de dar as mãos e você vê vereadores querendo aprovar um projeto deste”, afirmou. Ele acrescenta que as eleições já passaram e a consequência é esta, mas ainda é possível revogar este PL na próxima sessão, que será a última de 2016.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a cidade tem 86 mil habitantes. O reajuste em Ubatuba é maior que o dos municípios de Taubaté, R$ 8.363,90, com 302 mil habitantes e São José dos Campos, R$ 10.173, com 688 mil habitantes. O orçamento aprovado para a câmara para 2017 é de R$ 11 milhões.

Gritos de revolta, apitos ecoaram fortes junto a cartazes, porém o manifesto foi pacífico, sem brigas ou depredações.

Entenda o caso

Durante a sessão extraordinária de sábado passado foi aprovado um reajuste salarial dos vereadores de R$ 8.016, 93 para R$ 10.128, 80, pelo corpo Legislativo por seis votos a 4. Entre os seis dos vereadores que aprovaram reajuste quatro estão reeleitos.

O Projeto de Lei (PL) votado é o n° 110/16, que se refere a uma correção salarial para os vereadores. Esta ação se dá a cada fim dos quatro anos de mandato para a próxima bancada de vereadores, o que os difere dos servidores públicos que segue reajuste salarial anualmente.

A favor do reajuste os vereadores: Daniele Soares (DEM), Silvinho Brandão – reeleito (PSDB), Adão – reeleito (PCdoB), Manoel Marques – reeleito (PT) e Benedito Julião (PSL) e Claudinei Xavier – reeleito (PSDB). Contra, os vereadores: Flávia Pascoal (PSB), Reginaldo de Matos, Bibi – reeleito (PMDB), Eraldo Todão (PSDB) e Ivanil Ferretti (PMDB).




http://www.ubatubasim.com.br/populacao-de-ubatuba-se-revolta-com-o-reajuste-salarial-de-vereadores-2/

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