domingo, 4 de dezembro de 2016

Atleta de Ubatuba é campeão Sul-Americano de supino após bater record na categoria

Ele venceu três argentinos levantando 190kg nos braços 

Por Raell Nunes,  Tamoios News , de Ubatuba

Depois de conquistar o campeonato brasileiro em julho deste ano, ocorrido no Rio de Janeiro, José Caetano Lourenço, o conhecido Fofão, foi vitorioso mais uma vez ao erguer a taça do Sul-Americano de supino, na categoria máster 1.
Ao levantar 190kg, o esportista caiçara, além de campeão, tornou-se recordista em sua classe. O antigo recorde era de 170Kg.




A competição ocorreu esta semana em Santos, e foi organizado pela Conbrap (Confederação Brasileira de Powerlifting). O atleta ubatubense disputou com mais três brasileiros e três argentinos.
“Ganhar é sempre bom. Mas ganhar da Argentina é muito melhor. O argentino que ficou em segundo lugar nem subiu no pódio”, relata o vencedor.
O supineiro ainda ficou em terceiro lugar na categoria coeficiente, incluindo todos os competidores. Nessa esfera ganhava quem levantasse o maior número de carga equivalente ao peso do próprio corpo.
Aos 47 anos de idade, Fofão mantém uma academia comunitária no bairro do Ipiranquinha, na qual expõe suas medalhas e troféus. Além de desenvolver trabalhos sociais, ele também ensina aos jovens algumas técnicas do supino e pretende formar futuros campeões.
O atleta cresceu sem a presença do pai e da mãe e se apegou ao esporte para não entrar no caminho da criminalidade. Conforme falou, seu objetivo futuramente é participar do campeonato mundial, em Lass Vegas, nos EUA.


Confira a entrevista exclusiva do recordista Sul-Americano concedida para o Tamoios News.
Tamoios News (TN) – Foi difícil disputar o campeonato Sul-Americano?
Fofão (FF) – Foi complicado. O dia da pesagem foi um e o dia do campeonato outro. Eu pesei e fiquei em Mogi (SP) e depois voltei a Santos para disputar. Nas duas situações eu acordei às 5h para pegar condução. Isso tudo é cansativo e atrapalha na hora de levantar o peso.
TN – O que passou na sua cabeça ao ganhar a competição?
FF – Foi um cala-boca. Muita gente não acreditava em mim. Diziam-me que isso não ia dar em nada. Aliás, a vida inteira eu escutei isso. Meus próprios familiares falavam que musculação era coisa de vagabundo. Eu fui um cara que fez muita coisa errada. O esporte me salvou e me deu tudo que tenho hoje.
TN – Você pratica um esporte que não é muito conhecido em Ubatuba. Qual a maior dificuldade para participar de campeonatos importantes como, por exemplo, o Sul-Americano?
FF – A maior dificuldade sempre é a questão do dinheiro. Tenho poucos patrocínios e, infelizmente, o supino não é muito conhecido por aqui. Até na Argentina, que é economicamente inferior ao Brasil, se tem reconhecimento e incentivo ao esporte.
TN – Conte como é sua rotina de treinamento.
FF – Quando não estou em época de campeonatos, eu treino a semana toda. Já no período que se aproxima as competições, eu só treino três vezes por semana. É importante guardar as energias. Quando estou prestes a competir, treino só duas vezes por semana. Nos treinos, com meus amigos, chego a levantar 240kg.
TN – Você faz alguns trabalhos sociais e paralelamente quer lançar novos jovens no supino. Como vão os projetos?
FF – Eu gosto muito de trabalhar com a comunidade. Gosto tanto que já não me sobrou dinheiro nem para luz da minha própria casa. Quando vejo um dos meus garotos treinando, enxergo campeões de verdade. Eles são diamantes brutos que precisam ser lapidados para brilhar. Eu acredito que um dia vou conseguir fazer isso por Ubatuba.

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