sábado, 10 de setembro de 2016

Exploração Turística da Ilha Anchieta - 1974


Mapa de localização de todos os "empreendimentos". (FUMEST, 1974).



Pois bem que parece coisa de ficção, mas não é.
Analisando a história da Ilha Anchieta no século XX, percebe-se que desde 1905, quando foram expulsos centenas de caiçaras daquela Ilha para a instalação da colônia correcional, o Estado passou todo o período deste século exercendo seu poder de forma autoritária e visando seus próprios interesses. 




Colônia correcional, presídio político, presídio comum, local de quarentena para gado, "depósito" de imigrantes bessarábios, prisão de guerra para os Shindo-remei, posto de prestação de serviços de assistência aos profissionais da pesca, manicômio para onde seria transferido os pacientes do "Juqueri", colônia de férias para trabalhadores do Estado, exploração turística e urbanística, soltura de animais do zoológico, parque estadual terrestre e polígono de interdição à pesca. Ufa! Esse é um breve resumo de todas as mirabolantes ideias de uso da Ilha Anchieta pelo Estado. Algumas ficaram (ainda bem) só no papel. É sobre a mais megalomaníaca de todas que irei brevemente falar agora.
O Plano de Exploração Turística da Ilha Anchieta de 1974.
Esse plano "maravilhoso" escolheu a Ilha para "sede de um dos centros mais importantes do turismo nacional, com projeções na escala internacional [...] que se objetivam nas seguintes possibilidades: restaurantes e paradores, observatório astronômico e meteorológico, capela do pico, parque florestal e zoológico, clube de campo e camping, auditório, concertos e ballet ao ar livre, lago artificial e centro de cultivo de água doce, clube hípico, de caça e montanhismo, hotéis balneários, restaurante de praia, hotel oceânico, boate submarina, boate de gruta, iate clube"  (FUMEST, 1974).
Inacreditável? Surreal? Estou delirando?
Pois então coloco abaixo algumas fotos deste plano de "concepção urbanística".
Assim ia ser o cantinho da Praia Grande da Ilha Anchieta com seu hotel. (FUMEST, 1974).

Assim ia ser a parte do presídio transformado em centro comercial. (FUMEST, 1974).
Descrição geral do "empreendimento". (FUMEST, 1974).

Mapa de localização de todos os "empreendimentos". (FUMEST, 1974).

A primeira vez que vi este documento fiquei estarrecido. No entanto, não obstante essas maluquices do Estado, foram sempre os caiçaras que saíram perdendo. Expropriados de suas terras e de seus territórios pesqueiros localizados na Ilha Anchieta, perderam sua identidade sociocultural, perderam seu modo de vida tradicional, perderam seu sustento e sua arte pesqueira. Perderam tudo.

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