domingo, 18 de setembro de 2016

EM OUTUBRO A TV ESCOLA EXIBIRA O DOCUMENTÁRIO UBATUBA SAT



A narrativa conta a história do professor de matemática Candido Moura, apaixonado pela área de ciências, que juntou alunos da escola “Presidente Tancredo de Almeida Neves” em São Paulo para construir um protótipo de satélite.

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Com início em fevereiro de 2010 e o objetivo de despertar a curiosidade pela ciência e tecnologia, o projeto UbatubaSat foi muito além da sala de aula, levando os participantes a ficarem mundialmente conhecidos. O grupo já visitou à Nasa e à Interorbital, ambas nos EUA, e participaram de um congresso aeroespacial na cidade de Nagoya, no Japão.
“O convívio com a ciência e tecnologia desde a mais tenra idade e a experiência em enfrentar desafios é um dos legados mais relevantes do projeto. Quando você coloca um satélite em órbita da Terra na adolescência você encara como muito mais tranquilidade qualquer desafio que o mundo lhe apresentar”, afirma o professor.





Saiba mais sobre o projeto.

1.    Como surgiu a ideia do projeto?

Professor Candido: Eu vi na edição de fevereiro de 2010 na Revista Superinteressante que uma empresa americana estava desenvolvendo um novo veículo lançador, um foguete, e comercializando kits de satélites juntamente com o serviço de lançamento, por aproximadamente 8 mil dólares. Foi um meio que eles encontraram de financiar o projeto deles. Achei que seria interessante montar um kit desses com os alunos. Fizemos contato com a empresa que confirmou as informações, arrumamos patrocínio, montamos um grupo de professores e fizemos um convênio com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e demos início aos trabalhos.

2. E como funciona esse kit?
Os satélites Tancredo I e II do projeto Ubatubasat são construídos a partir de um kit fornecido pela empresa Interorbital System de Mojave-CA, EUA (www.interorbital.com). O kit inclui o projeto, os principais componentes eletrônicos, bem como o serviço de lançamento, custando a partir de US$ 8,000.00. Os demais componentes devem ser adquiridos no mercado.
A parceria com o INPE- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (www.INPE.br) se mostrou imprescindível, pois é fato inédito no Brasil colocar alunos do ensino fundamental trabalhando lado a lado com pesquisadores profissionais.

2. Professor, explica um pouco sobre as diferentes etapas desse projeto.

Professor Candido: Em um primeiro momento, foi a montagem da infraestrutura [que envolvia] conseguir os recursos, fazer o contrato com os americanos, fazer o convênio com o INPE, conseguir o apoio da secretaria de educação. Isto durou de fevereiro a setembro de 2010. Em setembro apresentamos o projeto aos alunos e iniciamos um curso de eletrônica básica. No ano seguinte,  eles fizeram um curso de solda com qualificação espacial no INPE. Este curso normalmente é feito por engenheiros e técnicos da indústria aeroespacial brasileira.
A partir daí, eles começaram a montar o modelo de engenharia do nosso satélite. No próximo ano submeteram um paper ao maior congresso aeroespacial do Japão e em 2013 foram defender o artigo na cidade japonesa de Nagoya, patrocinados pela UNESCO.
Atualmente, estamos aguardando o lançamento do satélite. Com a demora do desenvolvimento do foguete da Interorbital, procuramos uma outra opção de lançamento e ganhamos um voo da AEB - Agência Espacial Brasileira. Este lançamento irá ocorrer da Estação Espacial Internacional, um ambiente habitado. Isso nos obrigou a desenvolver um novo projeto do satélite para atender uma série de requisitos de segurança. Após esse período de desenvolvimento construímos o modelo de voo no ano passado e realizamos os testes de qualificação que habilita o satélite para ser lançado.

3. E como os jovens foram selecionados?


Professor Candido: Nós convidamos todos alunos das três salas para as quais eu dava aula na 5ª serie [na escola “Presidente Tancredo de Almeida Neves” em Ubatuba, São Paulo] para participarem.
Para ir para uma etapa mais avançada, ele precisava ter cumprido com sucesso a anterior, mas ele não era eliminado do projeto por não ter concluído uma etapa em determinado tempo. O aluno podia inclusive sair do projeto e voltar novamente.
Assim para fazer o curso de solda com qualificação espacial, o aluno precisava ter concluído com sucesso o curso de eletrônica básica. Para montar o satélite, ele precisava ter feito o curso de solda com qualificação espacial, e assim por diante.

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4. Até o momento, esse projeto já foi apresentado em outros lugares do mundo?
Professor Candido: No Japão 3 vezes, fomos visitar a base da NASA, em decorrência de um encontro que tivemos com o Charles Bolden, o administrador da NASA aqui em São José dos Campos, SP. Pela imprensa, em artigos de jornal, revista e televisão, posso dizer que já rodamos o mundo, dos EUA ao Vietnã.


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